A restrição de calorias é a única intervenção conhecida para diminuir o ritmo de envelhecimento biológico e aumentar a longevidade, de acordo com a informação geral no artigo. No entanto, é sabido que a deficiência energética crónica prejudica a captação de minerais ósseos e que a perda de peso é associada com a perda de massa óssea em pessoas obesas. A restrição de calorias poderia assim também levar à perda de massa óssea.
Leanne M. Redman e colegas doutorados da Pennington Biomedical Research Center Baton Rouge estudaram 46 homens e mulheres saudáveis, mas com excesso de peso (idade média 37 anos), que foram aleatoriamente designados para um de quatro grupos de seis meses de duração de estudo. Onze formaram o grupo de controlo, cuja dieta baseou-se numa alimentação saudável e com cuidados alimentares ao nível da nutrição; 12 foram designados para consumirem uma dieta com menos 25% de calorias do que as que gastam por dia; 12 foram designados para criarem um deficit energético ao ingerirem menos calorias e exercitarem-se cinco dias pró semana; e 11 consumiram uma dieta hipocalórica (890 calorias por dia), até que alcançassem 15% de perda de peso, altura em que seriam colocados num plano dietético de manutenção de peso. Todas as dietas foram estudadas quanto à qualidade da nutrição, incluindo os níveis recomendados de vitaminas e minerais, incluindo cálcio, e continha 30% de gordura, 15% de proteínas e 55% de carboidratos.
Após seis meses, a média de peso corporal foi reduzido em 1% no grupo de controlo, 10.4% no grupo de restrição calórica, 10% no grupo de restrição calórica acrescido de exercício físico e 13.9% no grupo da dieta de baixas calorias (890 por dia).
A densidade mineral óssea e no sangue dos marcadores de reabsorção e formação óssea (processo através do qual os ossos são quebrados e regenerados numa base regular) foram medidos no início do estudo e novamente após os seis meses. “Em comparação com o grupo de controlo, nenhum dos grupos apresentou qualquer alteração na densidade mineral óssea do corpo”, observam os autores. Os marcadores de reabsorção óssea foram aumentados nos três grupos de intervenção, enquanto que os marcadores de formação óssea foram reduzidos no grupo de restrição calórica, e inalterados no grupo de dieta de baixa caloria ou no grupo de restrição calórica mais exercício acrescido.
“Os nossos dados não apoiam a ideia de que a extrema perda de peso (mais de 10%) ao longo de um curto período de tempo (três meses) tenham um pior prognóstico para a saúde óssea do que a perda de peso progressiva ao longo de seis meses, pela restrição calórica moderada com ou sem exercício aeróbio”, escrevem os autores. “Nós especulamos que, em jovens indivíduos submetidos a restrição calórica, possam ocorrer pequenos ajustes nos ossos como uma adaptação fisiológica à redução da massa corporal. Justificam-se novos estudos de longa duração e devem incluir uma avaliação da arquitectura óssea como forma de garantir que a qualidade dos ossos se mantém com a perda de peso.”
Fonte: ScienceDaily
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