Um copo de Vinho ajuda a saúde do Fígado

 

Investigadores da Escola de Medicina de San Diego da Faculdade da California estão a abalar a comunidade médica com um estudo que demonstra que um consumo modesto de vinho, um copo por dia, pode não ser apenas seguro para o fígado, como pode até reduzir a prevalência da doença hepática gordurosa não alcoólica (DHGNA).

O estudo, que sairá na edição de Junho de 2008 do jornal especializado “Hepatology”, demonstra que os indivíduos que bebem até um copo de vinho por dia, quando comparados com outros que não consomem nenhum álcool, têm uma taxa de risco de DHGNA inferior na ordem dos 50%. Em contraste, e quando comparados com os que bebem vinho, os indivíduos que relataram um consumo moderado de cerveja ou bebidas licorosas têm cerca de 4 vezes mais probabilidades de contrair DHGNA.

Investigações anteriores já provaram que 5% dos adultos com DHGNA desenvolve cirrose. Os principais factores de risco para DHGNA são semelhantes a muitos factores de risco para doenças cardiovasculares – obesidade, diabetes, triglicéridos elevados e alta pressão arterial. Vários estudos têm demonstrado que um consumo moderado de álcool pode reduzir o risco de doenças cardíacas, contudo, as recomendações para o consumo moderado de álcool em indivíduos em risco de doenças cardíacas esquecem que esses mesmos indivíduos também apresentam um risco de DHGNA. Parece então existir um dilema se o consumo moderado de álcool, com benefícios para o coração é igualmente seguro para o fígado. Os investigadores da Escola de Medecina de San Diego propuseram-se a clarificar esta importante questão. 

“Os resultados deste estudo apresentam uma mudança que sugere que o consumo moderado de vinho pode não só ser seguro para o fígado, como pode mesmo diminuir a prevalência de DHGNA. As suspeitas de DHGNA baseadas em análises ao sangue do fígado diminuiu em 50% nos indivíduos que bebem um copo de vinho por dia,” diz Jeffrey Schwimmer, médico e professor associado de Gastrenterologia, Hepatologia e Nutrição, Departamento de Pediatria da Universidade da California e Director da Clínica de Hepatologia no Hospital Rady para Crianças em San Diego. O resultado permaneceu constante, mesmo após ajustes efectuados a variáveis como a idade, sexo, raça, educação, nível de rendimentos, práticas de nutrição, actividade física, índice de massa corporal e outros factores relacionados com a saúde.   

A investigação não forneceu qualquer apoio sobre beber em grandes quantidades. “Queremos salientar que as pessoas em risco de alcoolismo não devem beber vinho ou qualquer outra bebida com teor alcoólico,” diz Schwimmer, que referiu ainda que, apesar deste ser o primeiro estudo a debruçar-se sobre este problema, as descobertas não salientam que quem já possui problemas de fígado não deve beber qualquer álcool.

“Como este estudo foi apenas efectuado sobre o vinho, e não sobre a cerveja ou bebidas espirituosas, devem ser realizados futuros estudos para determinar se os benefícios são resultado do álcool ou de componentes não alcoólicos presentes no vinho.”, acrescentou também Schwimmer.

A equipa de pesquisa incluiu Schwimmer, Winston Dunn, médico da Divisão de Gastrenterologia do Departamento de Medicina da Universidade da California, e Ronghui Xu, médico do Departamento da família e Medicina Preventiva e do Departamento de Matemática da Universidade da California.

Fonte: Science Daily

 

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