O consumo de cafeína, em qualquer altura durante a gravidez, está associado a um risco acrescido de restrição do crescimento fetal, segundo pesquisa publicada no site do British Medical Journal.
Embora alguns estudos anteriores tenham também demonstrado este facto, este estudo do British Medical Journal também demonstra que o consumo de qualquer tipo e quantidade de cafeína – do chá, coca-cola, chocolate, cacau, de alguns medicamentos prescritos, e claro, do café, está relacionado com um crescimento fetal relativamente mais lento.
O Dr. Justin Konje e colegas da Universidade de Leicester, bem como vários colaboradores da Universidade de Leeds, examinaram em pormenor a associação do consumo de cafeína materno com o metabolismo da cafeína no nascimento.
De Setembro de 2003 a Junho de 2006, os autores recrutaram em dois grandes hospitais ingleses 2645 mulheres grávidas de baixo risco e idade média 30 anos, entre 8 e 12 semanas de gestação para o estudo. Utilizaram um instrumento especial de avaliação e medição da cafeína para assinalar o consumo de cafeína a partir de qualquer fonte alimentar em quatro semanas de gravidez, e usaram também amostras de saliva para calcular o metabolismo individual da cafeína.
Os investigadores constatam que a média de consumo de cafeína durante a gravidez foi 159 mg/dia, um valor muito inferior ao limite de 300 mg/dia recomendado pelo governo do Reino Unido. Curiosamente, 64% afirmaram que a origem da cafeína que consumiram proveio do chá. Outras fontes registadas foram o café (14%), colas (12%), chocolate (8%) e refrigerantes vários (2%).
A maioria dos bebés nasceram no tempo previsto, com uma média de peso ao nascer de 3450g (peso considerado normal), enquanto 4% nasceram prematuramente, 0,3% nados-mortos e 0,7% abortaram. Em geral, os resultados confirmaram que se trataram de gestações de baixo risco. Contudo, os autores deste novo estudo encontraram uma “relação dose-resposta”, mostrando que o aumento do consumo de cafeína está associado com um risco crescente de restrição do crescimento fetal.
Comparadas às mulheres grávidas que consomem menos de 100mg/dia (o equivalente a menos de uma xícara de café), as estimativas de risco de ter um bebé menor peso ao nascer aumentou 20% para os consumos de 100-199mg/dia, em 40% para aqueles tendo entre 200-299mg/dia, e em 50% para consumos superiores a 300mg/dia.
Não existiu qualquer nível de consumo de cafeína em que o risco de restrição de crescimento tenha parado de subir durante a gravidez. O consumo de cafeína superior a 100 mg/dia, o equivalente a um café, ficou associado com uma redução no peso do bebé entre 34-59 g no primeiro trimestre, entre os 24-74 g no segundo e entre 66-98 no terceiro. Esse efeito foi significativo e consistente em todos os trimestres para consumos superiores a 200 mg/dia. Os autores também constaram que a relação entre a restrição de crescimento do feto e a cafeína foi mais forte nas mulheres que metabolizam a cafeína mais rapidamente.
Os autores explicam que, embora estas reduções de peso possam parecer insignificantes quando o peso médio na altura do nascimento é de 3 kg, uma perda de 60-70 g no peso de um bebé poderá ser muito importante, caso este bebé já seja pequeno por natureza e/ou seja de risco. As mulheres grávidas devem fazer todos os esforços possíveis para reduzir substancialmente o consumo de cafeína, a partir de qualquer alimento, antes e durante a gravidez, advertem os autores.
Estes achados permitirão reforçar a preocupação que a cafeína é uma substância potencialmente fetotoxic, diz professor Jørn Olsen e Professor Bodil Hammer Bech, em um acompanhante editorial. Mas os conselhos oferecidos pelos autores poderia assustar desnecessariamente as mulheres que consumiram alguma cafeína durante a gravidez.
As mulheres grávidas devem reduzir o consumo de cafeína, mas não deve substituí-lo por alternativas menos saudável, como bebidas alcoólicas e refrigerantes cheios de açúcar, acrescentam.
Fonte: ScienceDaily
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