O Darwinismo e a Obesidade Moderna – Teoria da Evolução

 

O desejo irresistível de um chesseburguer tem as suas origens no dramático crescimento do cérebro e evolução do corpo humano, alterações que se deram devido a motivos ambientais há cerca de 2 milhões de anos atrás.

Uma alimentação rica e nutricionalmente mais densa tornou-se fundamental para alimentar as necessidades energéticas dos cérebros humanos excepcionalmente desenvolvidos e para a manutenção dos estilos de vida rudimentares de caça e recolha.

Contudo, a transição de um estilo de vida de subsistência para a modernidade sedentária, criou desequilíbrios energéticos cujo crescimento exponencial aumentou rapidamente – em termos evolutivos – nos últimos anos e com graves repercussões na obesidade e carências de nutrição humana.

Os padrões de actividade devem receber igual relevância e atenção como recebem os hábitos de alimentação pouco saudável em qualquer tentativa para reverter as tendências evolutivas que contribuem para a obesidade a nível mundial, afirma William Leonard. Leonard, presidente e professor de antropologia na Universidade de Northwestern, irá discutir o seu trabalho durante a Reunião Anual de 2009 da Associação Americana para o Avanço da Ciência (AAAS) em Chigaco.

Há dois milhões de anos atrás, alterações no comportamento e qualidade alimentar ajudou a fornecer a energia e nutrição para apoiar o rápido desenvolvimento do corpo e tamanho do cérebro dos nossos antepassados. Hoje, os humanos modernos utilizam quase um quarto das suas necessidades energéticas a alimentar os cérebros, consideravelmente mais que qualquer outro primata (entre 8 a 10%) ou de outros mamíferos (entre 3 a 5%). De forma a apoiar o alto custo energético dos cérebros, os seres humanos consomem dietas muito mais ricas em calorias e nutrientes do que a dos outros primatas.

“Enquanto que os primatas de grande porte – chimpanzés, gorilas e orangotangos – possam subsistir com folhas e frutos, nós humanos precisamos de consumir carne e outros alimentos altamente energéticos de forma a conseguirmos suportar as necessidades metabólicas,” diz Leonard.

Os alimentos de todas as sociedades humanas são muito mais densos nutricionalmente dos os alimentos dos primatas de grande porte. “Para obter estas dietas de elevada qualidade, os nossos antepassados teriam de se ter deslocados ao longo de grandes áreas de terreno, o que exigiu grande esforço energético”, afirma também Leonard. “Se pensarmos bem, é algo verdadeiramente extraordinário. Isto porque foi o desenvolvimento do cérebro que nos deu vantagem competitiva sobre outras espécies, contudo, também parece nos ter tornado, algures na história, verdadeiramente frágeis, devido às exigências de nutrientes e alimentos necessários para manter a nossa “arma especial”, ou seja o cérebro.”

Contudo, reduções substanciais de actividade física em adultos nos tempos modernos, reduziu drasticamente os custos metabólicos de sobrevivência. O diferencial entre a energia consumida e a energia dispendida desequilibrou-se gravemente, à medida que a densidade nutricional da nossa alimentação aumentou em simultâneo o tempo e energia necessários à obtenção de alimentos. “Pense nos nossos antepassados”, desafia Leonard. “Os humanos caçadores-colectores  precisavam de andar kilómetros por dia em busca de alimentos. Hoje, contudo, basta pegar no telefone e mandar entregar uma pizza à nossa porta enquanto esperamos no sofá.” Esse declínio no gasto energético diário contribui não apenas para a obesidade, como também para outras doenças crónicas do mundo moderno, como diabetes e doenças cardiovasculares. “Num certo sentido, essas doenças marcaram o inicio da História Evolutiva Humana, “ caracteriza Leonard.

Os dados sugerem claramente que e epidemia da obesidade não pode ser encarada olhando apenas para os maus hábitos da alimentação. “Ao longo de toda a nossa história evolutiva, a obtenção de dietas e alimentos densos e ricos esteve sempre associada a uma substancial despesa energética e de exercício através da circulação em grandes áreas de terreno. Hoje, este desequilíbrio é a principal causa de obesidade no mundo industrializado, daí a extrema importância da prática de exercício físico complementar a uma dieta estável.

Fonte: Medical News Today

 

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